Não é a distância na parede,
é um rombo enorme que eu tenho no quarto.
Quando chove, a água escorre,
vai devagar do teto até o chão,
formando poças escuras
onde é possível ver meu reflexo
— único espelho da casa.
Ela goteja na quina da cama
antes de você se encostar nela
e ancorar um navio.
O ventilador pregado, um dia,
desabou em cima de mim e quase me matou.
Eu morreria, na melhor das hipóteses,
com a hélice fincada no lugar do pulmão
que estrago todos os dias.
Imagine um prédio inteiro submerso
e uma televisão que transmite notícias sobre
a conjuntura política atual e o trânsito nas Marginais.
Eu mergulharia nele,
subiria a nado as escadas de emergência até o oitavo andar,
tentaria remendar a enchente e quem sabe
seguir carreira no mergulho,
descobrir uma nova profissão
com o objetivo de caçar fôlego
em outros rombos.
é um rombo enorme que eu tenho no quarto.
Quando chove, a água escorre,
vai devagar do teto até o chão,
formando poças escuras
onde é possível ver meu reflexo
— único espelho da casa.
Ela goteja na quina da cama
antes de você se encostar nela
e ancorar um navio.
O ventilador pregado, um dia,
desabou em cima de mim e quase me matou.
Eu morreria, na melhor das hipóteses,
com a hélice fincada no lugar do pulmão
que estrago todos os dias.
Imagine um prédio inteiro submerso
e uma televisão que transmite notícias sobre
a conjuntura política atual e o trânsito nas Marginais.
Eu mergulharia nele,
subiria a nado as escadas de emergência até o oitavo andar,
tentaria remendar a enchente e quem sabe
seguir carreira no mergulho,
descobrir uma nova profissão
com o objetivo de caçar fôlego
em outros rombos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário